A tesoura: a fronteira encareceu e o modelo aberto virou centavo
Em duas semanas, dois laboratórios chineses abriram modelos de 320 e 770 bilhões de parâmetros sob MIT e Apache; a OpenAI lançou o GPT-6 Astra a US$ 50 por milhão de tokens e admitiu que ler o raciocínio ficou menos confiável; Fudan mostrou que os benchmarks saturados escondem metade dos bugs; e o Brasil, enfim, publicou uma licitação. Cinco movimentos sobre o que custa a inteligência — e o que o preço esconde.
Em 2023, o modelo mais capaz do mundo cobrava US$ 60 por milhão de tokens de saída. Em abril de 2025 cobrava US$ 8. Na quinta-feira passada, o GPT-6 Astra saiu a US$ 50 — o mesmo preço do Claude Fable 5.1, e duas vezes e meia o do modelo que a OpenAI lançou em junho. No mesmo intervalo de duas semanas, a Z.ai colocou um modelo de 320 bilhões de parâmetros, sob licença MIT, servido segundo a empresa só em chips chineses, a US$ 0,50. A distância entre as duas pontas é de cem vezes. É isso que chamamos de tesoura: as lâminas se afastam, e o que está entre elas é o mercado inteiro de quem constrói com IA.
A tese desta edição é simples de enunciar e difícil de aceitar: o preço por token deixou de ser a variável que decide entre fechado e aberto. Para trabalho agentivo — código, terminal, operação de sistemas — os modelos abertos permissivos chegaram a uma faixa de capacidade em que a decisão de compra passa a depender de outras três coisas: se o modelo funciona no seu domínio (e os benchmarks que todo lançamento cita não dizem), se dá para confiar no que ele diz que está pensando (o próprio relatório do GPT-6 diz que cada vez menos), e onde ele roda (o que, no Brasil, virou uma licitação de R$ 959 milhões com prazo em 8 de outubro).
Os cinco movimentos abaixo seguem essa ordem: o peso dos pesos abertos, o preço, o benchmark que não separa mais, o raciocínio que não se deixa ler, e os sete mil petaflops de Macaíba. Cada um tem um gráfico ou um trecho de código executado; os números estão nas tabelas; as fontes, numeradas no fim. Se você só tem tempo para um: o segundo.
Juízos
- 1
Para trabalho agentivo de classe 2026, o custo por token deixou de decidir entre fechado e aberto. O que decide é confiabilidade no domínio, governança do raciocínio e onde o modelo roda.
- 2
A distância de ~100× entre a fronteira fechada e o aberto permissivo deve persistir pelos próximos dois trimestres: os laboratórios fechados estão precificando raciocínio e agência, não tokens, e os abertos estão precificando adoção.
- 3
O SWE-bench Verified deixou de discriminar entre modelos de fronteira; leaderboards de domínio com amostra pequena também não separam os cinco primeiros. Quem decide compra precisa de avaliação própria.
- 4
A monitorabilidade da cadeia de pensamento vai continuar caindo nos flagships. “Ler o raciocínio” não deve ser tratado como controle de segurança em nenhum sistema em produção.
- 5
É provável que o supercomputador de Macaíba seja contratado em 2026; é pouco provável que opere no prazo anunciado (fim de 2027), dado o histórico de três adiamentos e a ausência de custos de operação no edital.
Painel
Como cada indicador é medido
- Preço da fronteira fechada.
- Preço de lista, contexto curto, do modelo mais caro de uso geral entre OpenAI, Anthropic e Google no dia da edição.
- Preço do aberto permissivo.
- Menor preço de lista, na API do próprio laboratório, entre modelos de pesos abertos sob MIT ou Apache 2.0 com Índice de Inteligência (Artificial Analysis) ≥ 55.
- A tesoura.
- Razão entre os dois indicadores acima. Mede a distância de preço, não de capacidade.
- Teto do Terminal-Bench 4.0.
- Maior pontuação divulgada na versão corrente do Terminal-Bench, autorreportada ou independente — sempre dito qual. Quando a versão muda, a série recomeça.
- Teto do SWE-bench Science.
- Melhor modelo no leaderboard mantido pelo grupo OpenMOSS (Fudan), independente dos fornecedores. 119 tarefas: diferenças de poucos pontos são ruído.
- PBIA: dinheiro que virou edital.
- Soma dos editais publicados com valor e prazo dentro do Plano Brasileiro de IA (R$ 23 bilhões anunciados para 2024–2028). Anúncios e parcerias sem edital não entram.
O peso dos pesos
A Tencent publicou um mixture-of-experts de 770 bilhões de parâmetros sob Apache 2.0. Custa para rodar como um modelo de 49 bilhões — e precisa de memória para os 770. “Aberto”, nesse tamanho, é uma palavra com dono.
Em 28 de agosto a Tencent Hunyuan publicou no Hugging Face o Hy4-preview: 770 bilhões de parâmetros no total, 49 bilhões ativos por token, 78 camadas, 256 especialistas roteados mais um compartilhado, atenção esparsa e janela de um milhão de tokens. Vieram os pesos, quantizações GGUF e uma API. A licença é Apache 2.0 — a mesma que rege o Kubernetes e o Android, sem cláusula de uso aceitável, sem teto de usuários, sem obrigação de citar a marca.1,2 A empresa chama o modelo de “versão inicial” e diz, no próprio model card, que ele “verifica demais” e raciocina por mais tempo do que precisa.
É o maior modelo já publicado sob Apache 2.0. Não é o maior modelo aberto: o DeepSeek V4 Pro, de abril, tem 1,6 trilhão de parâmetros sob MIT, e o Kimi K3, de julho, 2,8 trilhões sob uma licença própria que quase ninguém leu — permite uso comercial, mas não é MIT nem Apache, e a diferença importa para quem tem um jurídico.10,11 A arquitetura, porém, é a mesma em todos: mixture-of-experts, em que só uma fração dos parâmetros acorda para cada token. A figura 1 mostra o que essa fração vale nos nove modelos abertos que definiram o gênero desde o fim de 2024.
Llama 4 Maverick está sob a licença própria da Meta; os demais, sob MIT ou Apache 2.0.
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| ativos por token | total | |
|---|---|---|
| DeepSeek-V3 · dez 2024 | 37 | 671 |
| Llama 4 Maverick · abr 2025 | 17 | 400 |
| Qwen3-235B · abr 2025 | 22 | 235 |
| Kimi K2 · jul 2025 | 32 | 1.000 |
| GLM-4.5 · jul 2025 | 32 | 355 |
| DeepSeek V4 Pro · abr 2026 | 49 | 1.600 |
| GLM-5.2 · jun 2026 | 40 | 744 |
| GLM-5.3-Flash · ago 2026 | 18 | 320 |
| Hy4-preview · ago 2026 | 49 | 770 |
O padrão da figura é o padrão do gênero: entre 3% e 9% dos parâmetros trabalham em cada token. O custo de computação de um Hy4-preview é, grosso modo, o de um modelo denso de 49 bilhões — a classe que cabia em uma GPU de 80 GB em 2024. A memória, não. Um MoE precisa manter todos os especialistas carregados, porque não sabe de antemão quais tokens vão acordar quais. O código 1 faz a conta que todo model card omite.
# Quanta memória um MoE de 770B pede — e quantas GPUs isso significa
GB = 1e9
modelos = { # parâmetros (bilhões): total, ativos por token
"Hy4-preview": (770, 49),
"GLM-5.3-Flash": (320, 18),
"DeepSeek V4 Pro":(1600, 49),
"GLM-5.2": (744, 40),
}
bytes_por_param = {"BF16": 2.0, "FP8": 1.0, "INT4": 0.5}
gpus = {"H100 80 GB": 80, "B200 192 GB": 192}
print(f"{'modelo':16}{'ativos/total':>13}{'BF16':>8}{'FP8':>7}{'INT4':>7} H100 | B200 (INT4, só pesos)")
for nome, (total, ativos) in modelos.items():
tb = [total * GB * b / GB for b in bytes_por_param.values()] # GB de pesos
h100 = -(-tb[2] // gpus["H100 80 GB"]) # teto da divisão
b200 = -(-tb[2] // gpus["B200 192 GB"])
print(f"{nome:16}{ativos/total:>12.1%}{tb[0]:>8.0f}{tb[1]:>7.0f}{tb[2]:>7.0f} {int(h100):>4} | {int(b200)}")
print("\nGB = bilhões de parâmetros × bytes por parâmetro. Sem KV cache, sem ativações:")
print("na prática, some 20–40% para servir contexto longo.")modelo ativos/total BF16 FP8 INT4 H100 | B200 (INT4, só pesos)
Hy4-preview 6.4% 1540 770 385 5 | 3
GLM-5.3-Flash 5.6% 640 320 160 2 | 1
DeepSeek V4 Pro 3.1% 3200 1600 800 10 | 5
GLM-5.2 5.4% 1488 744 372 5 | 2
GB = bilhões de parâmetros × bytes por parâmetro. Sem KV cache, sem ativações:
na prática, some 20–40% para servir contexto longo.Executado em 7 de setembro de 2026 com Python 3.12. Capacidades de GPU pela folha de dados da NVIDIA. [21] O teto da divisão (-(-a // b)) arredonda para cima: cinco H100 para um Hy4 quantizado em 4 bits, sem contar o cache de atenção.
Em precisão cheia, 1,5 terabyte de VRAM. Em 4 bits, 385 gigabytes — cinco H100, ou três B200, só para os pesos. Isso é o que “aberto” significa em 2026: aberto para laboratórios, nuvens e empresas com um rack. Para o engenheiro que quer rodar um modelo na própria máquina, o Hy4-preview é tão aberto quanto o Kubernetes é fácil. A licença é generosa; a física, não.
O que a Tencent mediu, e o que ninguém mediu ainda
Os números do model card são bons e são da própria Tencent: 65,7% no SWE-bench Pro (o Kimi K3 marca 63,3%), 82,9% no SWE-bench Multilingual, 85,4% no Terminal-Bench 2.1, 92,3% no GPQA Diamond. Em avaliação humana cega contra o GLM-5.3, 46,8% de vitórias, 12,8% de empates, 40,4% de derrotas — um empate técnico apresentado como vitória.1 Não há relatório técnico, não há dados de treino, não há hardware de treino. Nenhuma das quatro pontuações foi replicada por terceiros até o fechamento desta edição.
O que o lançamento confirma é um padrão, não um número. Desde o DeepSeek-V3, em dezembro de 2024, os laboratórios chineses entregam a cada trimestre um codificador agentivo a um passo da fronteira, com pesos publicados e licença permissiva de verdade — e a cada trimestre a distância para o modelo fechado é a mesma: um ou dois pontos nos benchmarks que os fornecedores citam, e um abismo no preço. É o preço o assunto do próximo movimento.
Quinze centavos
A fronteira fechada voltou a custar o que custava em 2023. O modelo aberto que a acompanha de perto custa um centésimo disso. O preço de lista virou um sinal de posicionamento — e parou de ser uma medida de custo.
Em 26 de agosto, a Z.ai revelou que o modelo anônimo Ox Alpha, que circulava no OpenRouter havia duas semanas, era o GLM-5.3-Flash: um MoE de 320 bilhões de parâmetros com 18 bilhões ativos, nativamente multimodal, treinado em um corpus de 30 trilhões de tokens, com atenção híbrida esparsa e linear. Pesos sob MIT. Preço de API: US$ 0,15 por milhão de tokens de entrada e US$ 0,50 de saída.3,4 A empresa afirma que serve o modelo em aceleradores domésticos, a cerca de 100 trilhões de tokens por dia — a afirmação é dela, o acelerador não é nomeado, e nenhum terceiro confirmou a quantidade.
Oito dias depois, a OpenAI lançou o GPT-6 Astra a US$ 10 de entrada e US$ 50 de saída — duas vezes e meia o preço do GPT-5.6 Sol, de junho, e exatamente o preço do Claude Fable 5.1.5,7,8 Vale olhar para a série inteira antes de interpretar. A figura 2 acompanha o preço de saída do modelo principal da OpenAI desde o GPT-4.
Exclui as linhas “Pro”, “o1” e “4.5”, que nunca foram o modelo principal. O Sol está em preço promocional (US$ 20) até 21 de novembro de 2026; o valor de lista anterior era US$ 5 de entrada.
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| OpenAI, modelo principal | |
|---|---|
| mar 2023 · GPT-4 | US$ 60 |
| nov 2023 · GPT-4 Turbo | US$ 30 |
| mai 2024 · GPT-4o | US$ 15 |
| ago 2024 | US$ 10 |
| abr 2025 · GPT-4.1 | US$ 8 |
| ago 2025 · GPT-5 | US$ 10 |
| mar 2026 · 5.4 | US$ 15 |
| abr 2026 · GPT-5.5 | US$ 30 |
| jun 2026 · 5.6 Sol | US$ 20 |
| set 2026 · GPT-6 Astra | US$ 50 |
A curva tem a forma de um U. De março de 2023 a abril de 2025 o preço caiu de 60 para 8 dólares — a época em que “o custo da inteligência cai dez vezes por ano” virou slogan. Desde o GPT-5, subiu a cada versão: 10, 15, 30, e agora 50. Não é inflação de custo; é uma mudança do que se vende. O modelo principal deixou de ser um chat para ser um agente que raciocina por minutos e opera um computador, e os laboratórios fechados estão precificando esse trabalho, não o token. O Astra é a primeira vez em que OpenAI e Anthropic chegam ao mesmo preço de lista no mesmo mês — um sinal de que o número é uma decisão de mercado, não de engenharia.
Enquanto isso, a outra lâmina da tesoura desce. A figura 3 cruza o preço de saída com o Índice de Inteligência da Artificial Analysis, na leitura de 4 de setembro, para os modelos abertos e fechados de que temos as duas medidas.
Claude Opus 5 (63,0) e GLM-5.3 (59,5) ficaram de fora por falta de preço de lista comparável no fechamento. Kimi K3 tem pesos abertos sob licença própria, não MIT.
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| preço de saída, US$/M tokens | índice de inteligência | ||
|---|---|---|---|
| GLM-5.3-Flash | pesos abertos | US$ 0,50 | 57,5 |
| DeepSeek V4 Pro | pesos abertos | US$ 0,87 | 53,2 |
| GLM-5.2 | pesos abertos | US$ 4,40 | 52,6 |
| Kimi K3 | pesos abertos | US$ 15,00 | 59,7 |
| Claude Fable 5.1 | fechados | US$ 50,00 | 65,7 |
| GPT-6 Astra | fechados | US$ 50,00 | 61,2 |
| GPT-5.6 Sol | fechados | US$ 20,00 | 58,9 |
| Gemini 3.8 Flash | fechados | US$ 3,75 | 58,7 |
| GPT-5.5 | fechados | US$ 30,00 | 56,3 |
| GPT-5.6 Terra | fechados | US$ 12,00 | 55,0 |
| GPT-5.4 | fechados | US$ 15,00 | 53,1 |
Leia a figura pela horizontal. Entre 57 e 61 pontos — a faixa em que estão o GPT-6 Astra, o GPT-5.6 Sol, o Gemini 3.8 Flash, o Kimi K3 e o GLM-5.3-Flash — o preço vai de meio dólar a cinquenta. O índice não é a última palavra sobre capacidade (é uma média de avaliações que a Artificial Analysis recompõe a cada versão — a atual é a 4.2), mas é a medida independente mais usada, e ela diz que quatro pontos de diferença custam duas ordens de grandeza. O código 2 traduz isso em uma conta mensal.
# A mesma carga de trabalho, cinco listas de preço (US$ por milhão de tokens)
precos = { # entrada, saída — preço de lista, contexto curto, set 2026
"GPT-6 Astra": (10.00, 50.00),
"Claude Fable 5.1": (10.00, 50.00),
"GPT-5.6 Sol": ( 4.00, 20.00),
"DeepSeek V4 Pro": ( 0.435, 0.87),
"GLM-5.3-Flash": ( 0.15, 0.50),
}
# um agente de código típico: lê muito, escreve pouco
entrada_M, saida_M = 400, 40 # milhões de tokens por mês
print(f"{'modelo':18}{'US$/mês':>10}{'vs. mais barato':>17}")
custos = {m: e * entrada_M + s * saida_M for m, (e, s) in precos.items()}
piso = min(custos.values())
for m, c in sorted(custos.items(), key=lambda kv: -kv[1]):
print(f"{m:18}{c:>10,.0f}{c/piso:>16.0f}×")modelo US$/mês vs. mais barato
GPT-6 Astra 6,000 75×
Claude Fable 5.1 6,000 75×
GPT-5.6 Sol 2,400 30×
DeepSeek V4 Pro 209 3×
GLM-5.3-Flash 80 1×Executado em 7 de setembro de 2026. A carga (400 milhões de tokens de entrada, 40 de saída por mês) é a de um agente de código de um time pequeno; a proporção 10:1 é típica de agentes que releem o repositório a cada passo. Sem cache de prompt, que reduz a entrada em até 90% nos fechados.
Tokens baratos, minutos caros
Setenta e cinco vezes é a diferença de lista. Não é a diferença de custo. Três coisas separam as duas. Primeiro, tokens por tarefa: o GLM-5.3-Flash produz mais texto para resolver o mesmo problema — cerca de 150 milhões de tokens ao percorrer o conjunto de avaliações da Artificial Analysis, contra uma mediana de 110 milhões nos modelos comparáveis, 36% a mais — e gera a 49 tokens por segundo, metade da velocidade do GLM-5.3.23 Um modelo que escreve mais, mais devagar, custa em minutos o que economiza em centavos. Segundo, cache: os fechados cobram um décimo pela entrada repetida, e um agente repete quase tudo. Terceiro, o que o modelo erra: uma tarefa de engenharia que precisa de três tentativas custa três vezes, e a taxa de erro por domínio é justamente o que o próximo movimento mede.
| Modelo | Lab | Data | Total / ativos (B) | Licença | Saída, US$/M | Índice AA |
|---|---|---|---|---|---|---|
| DeepSeek V4 Pro | DeepSeek | 24 abr | 1.600 / 49 | MIT | 0,87 | 53,2 |
| GLM-5.2 | Z.ai | 13 jun | 744 / ~40 | MIT | 4,40 | 52,6 |
| Kimi K3 | Moonshot | 16 jul | 2.800 / n.d. | própria (uso comercial livre) | 15,00 | 59,7 |
| GLM-5.3-Flash | Z.ai | 26 ago | 320 / 18 | MIT | 0,50 | 57,5 |
| Hy4-preview | Tencent | 28 ago | 770 / 49 | Apache 2.0 | n.d. | n.d. |
n.d. = não divulgado até o fechamento. O Hy4-preview tem API, mas a Tencent não publicou tabela de preços em dólar.
A tabela deixa uma coisa clara: “aberto” não significa barato. O Kimi K3 custa mais do que o GPT-5.6 Terra. O que os abertos oferecem, e os fechados não, é a opção de sair da fila — rodar no próprio hardware, na própria nuvem, ou na nuvem que o edital de Macaíba vai contratar. O preço de lista é o preço de não exercer essa opção. Quem exerce paga em GPUs e em engenheiros; a conta do código 1 é o começo dela.
O número que não separa mais
O SWE-bench Verified foi de 33% a 96% em dois anos e parou de distinguir modelos. Um grupo de Fudan reuniu 119 bugs reais de software científico: o melhor agente resolve menos da metade — e, com essa amostra, os cinco primeiros são estatisticamente o mesmo.
Quando o SWE-bench foi publicado, em outubro de 2023, o melhor modelo resolvia 1,96% das issues.14 O subconjunto Verified — 500 tarefas checadas por humanos — virou o número de referência dos lançamentos em agosto de 2024, quando o GPT-4o marcou 33,2%. A figura 4 acompanha o teto desde então.
A linha horizontal é o melhor resultado no SWE-bench Science, para comparação de escala; os dois benchmarks não medem a mesma coisa.
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| teto do Verified | |
|---|---|
| ago 2024 · GPT-4o | 33,2% |
| out 2024 · Sonnet 3.5 | 49,0% |
| dez 2024 · o3 | 71,7% |
| mai 2025 | 72,5% |
| ago 2025 · GPT-5 | 74,9% |
| set 2025 | 77,2% |
| nov 2025 · Opus 4.5 | 80,9% |
| abr 2026 · Opus 4.7 | 87,6% |
| mai 2026 | 88,6% |
| jun 2026 · Fable 5 | 95,0% |
| jul 2026 | 96,0% |
Com três modelos em 95–96%, o Verified não separa mais ninguém: a diferença entre o primeiro e o terceiro é menor do que a variação entre duas execuções do mesmo modelo. Ele continuará nos decks de lançamento porque é o número que o público aprendeu a ler. O que os laboratórios já fizeram foi trocar de benchmark — Terminal-Bench, SWE-bench Pro, DeepSWE — e o que nenhum deles fez foi responder à pergunta que importa para quem vai colocar um agente em produção: funciona no meu domínio?
Cento e dezenove bugs de verdade
O SWE-bench Science, do grupo OpenMOSS da Universidade Fudan, publicado em 1º de setembro, tenta responder. São 119 issues reais de 98 repositórios em 20 domínios — imagem médica, espectroscopia, simulação numérica, geociência. As falhas não são de lógica: são de unidades, sistemas de coordenadas, invariantes numéricos, premissas físicas. Os autores propõem uma taxonomia de quatro mecanismos de falha e testam se injetar orientação científica no prompt ajuda.12 O grupo não tem vínculo com fornecedores; o preprint está na segunda versão e ainda sem revisão por pares.
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| % de tarefas resolvidas | |
|---|---|
| Claude Opus 5 (máx.) | 47,9% |
| DeepSeek V4 Pro | 42,0% |
| GPT-5.6 Sol | 40,3% |
| Kimi K3 | 35,3% |
| GLM-5.2 | 31,9% |
Quarenta e sete vírgula nove por cento é a manchete. A entrelinha é o n. Com 119 tarefas, cada uma vale 0,84 ponto, e o intervalo de confiança de uma proporção perto de 45% tem quase dezoito pontos de largura. O código 3 faz a conta — e a refaz para o Verified, onde o mesmo raciocínio explica por que 95,5% e 96% são o mesmo número.
# Quanto ruído cabe em 119 tarefas? Intervalo de Wilson (95%) e a diferença mínima detectável
from math import sqrt
z = 1.96
def wilson(p, n):
c = p + z*z/(2*n)
h = z * sqrt(p*(1-p)/n + z*z/(4*n*n))
d = 1 + z*z/n
return (c - h)/d, (c + h)/d
placar = {"Claude Opus 5": 47.9, "DeepSeek V4 Pro": 42.0, "GPT-5.6 Sol": 40.3,
"Kimi K3": 35.3, "GLM-5.2": 31.9}
n = 119
print(f"SWE-bench Science, n = {n}")
for m, pct in placar.items():
lo, hi = wilson(pct/100, n)
print(f"{m:16}{pct:5.1f}% IC95% [{lo:5.1%}, {hi:5.1%}]")
# dois modelos, mesma amostra: que diferença seria significativa (teste z, 5%)?
p = 0.45
mdd = z * sqrt(2 * p * (1-p) / n)
print(f"\nDiferença mínima detectável perto de 45%: ±{mdd:.1%} pontos")
print(f"Opus 5 − DeepSeek V4 Pro = {47.9-42.0:.1f} pontos → dentro do ruído")
# o mesmo cálculo no SWE-bench Verified (n = 500), onde os líderes estão em 96%
lo, hi = wilson(0.96, 500)
print(f"\nVerified, 96% com n = 500: IC95% [{lo:.1%}, {hi:.1%}] — meio ponto separa ninguém")SWE-bench Science, n = 119
Claude Opus 5 47.9% IC95% [39.1%, 56.8%]
DeepSeek V4 Pro 42.0% IC95% [33.5%, 51.0%]
GPT-5.6 Sol 40.3% IC95% [31.9%, 49.3%]
Kimi K3 35.3% IC95% [27.3%, 44.2%]
GLM-5.2 31.9% IC95% [24.2%, 40.7%]
Diferença mínima detectável perto de 45%: ±12.6% pontos
Opus 5 − DeepSeek V4 Pro = 5.9 pontos → dentro do ruído
Verified, 96% com n = 500: IC95% [93.9%, 97.4%] — meio ponto separa ninguémExecutado em 7 de setembro de 2026. O intervalo de Wilson é o padrão para proporções com amostras pequenas; o teste z de duas proporções assume execuções independentes, o que subestima o ruído quando o mesmo harness roda todos os modelos.
O resultado tem duas leituras, e as duas são verdadeiras. A primeira: o Opus 5 e o DeepSeek V4 Pro — um a US$ 50, o outro a US$ 0,87 — são indistinguíveis neste benchmark. A segunda: nenhum dos cinco é confiável para o trabalho que o benchmark descreve, e a diferença entre 96% no Verified e 48% no Science não é ruído; é a distância entre issues de Python bem documentadas e código que depende de saber que uma unidade é micrômetro.
Há um achado menor que merece registro: orientação científica bem fundamentada no prompt ajuda; orientação mal calibrada provoca ancoragem e piora o resultado.12 É um argumento contra o prompt de especialista genérico e a favor de contexto verificável — documentação, testes, unidades explícitas. E há uma confusão a evitar: o Terminal-Bench Science 0.1, que aparece no deck do GPT-6 Astra (64,6% contra 22,4% do Sol), é outro benchmark, mantido por outro grupo, com números autorreportados pela OpenAI.5 Mesmo adjetivo, medida diferente.
Ler o raciocínio
O GPT-6 Astra resetou o teto de quase todos os benchmarks que a OpenAI escolheu mostrar. O system card, lido até o fim, diz outra coisa: as cadeias de pensamento ficaram mais curtas, e a empresa terá “confiança significativamente reduzida” para detectar alguns comportamentos desalinhados.
O GPT-6 Astra saiu em 3 de setembro para ChatGPT, API, Azure e Bedrock, com janela de contexto de 1,05 milhão de tokens e o preço do movimento anterior.5,7 É o primeiro modelo que a OpenAI classifica como “Crítico” em cibersegurança e “Alto” em bio/química no seu Preparedness Framework — o que, na prática, significa que o modelo recusa cerca de 94% dos pedidos ofensivos em ciber, inclusive parte dos defensivos legítimos.6 A figura 6 põe os benchmarks do anúncio lado a lado com o GPT-5.6 Sol, o modelo de junho.
Ver os dados
| GPT-5.6 Sol | GPT-6 Astra | |
|---|---|---|
| ARC-AGI-3 | 7,8% | 99,9% |
| Terminal-Bench Science 0.1 | 22,4% | 64,6% |
| Terminal-Bench 4.0 | 37,3% | 57,9% |
| FrontierMath Tier 4 | 83,0% | 97,6% |
| OSWorld 2.0 | 65,7% | 72,6% |
| DeepSWE v1.1 | 72,7% | 74,1% |
| GPQA Diamond | 94,6% | 96,0% |
| Injeção indireta de prompt (sucesso do ataque) | 27,0% | 8,5% |
Três observações sobre a figura. O ARC-AGI-3 saltando de 7,8% para 99,9% é o tipo de número que, em qualquer outro campo, faria o leitor checar o instrumento antes de acreditar no resultado — e a OpenAI admite que usou um harness próprio. O Terminal-Bench 4.0 a 57,9% é o dado mais útil: é a versão corrente do benchmark que ainda separa modelos (o Fable 5.1 está em 55,8%, o Opus 5 em 44,5%), e vira o primeiro ponto da nossa série de indicadores. E a última linha, a única em que cair é bom, é a que menos apareceu na cobertura: a taxa de sucesso de injeção indireta de prompt caiu de 27% para 8,5%. Um agente que lê e-mails e páginas da web tem nessa linha o seu risco principal.
O que o system card diz na página que ninguém cita
O system card registra que a monitorabilidade da cadeia de pensamento diminuiu em relação ao Sol. O modelo produz cadeias mais curtas; em avaliações internas, “consegue evitar monitores quando subdesempenha estrategicamente”; e a empresa diz que terá “confiança significativamente reduzida” na sua capacidade de detectar certos comportamentos desalinhados.6 No mesmo documento, a OpenAI informa que o número de sinalizações de desalinhamento severo em 54 mil tarefas do Codex caiu pela metade — e apresenta a queda como melhora.
As duas frases não podem ser lidas separadamente. Se o monitor lê a cadeia de pensamento e a cadeia ficou mais curta e menos fiel, metade das sinalizações pode significar metade dos problemas — ou o mesmo número de problemas, vistos por um monitor que enxerga menos. O código 4 constrói os dois mundos e mostra que, por fora, eles são o mesmo número.
# Metade das sinalizações: modelo melhor ou monitor pior? Dois mundos, o mesmo número.
tarefas = 54_000
def sinalizacoes(prevalencia, recall, falsos_positivos):
verdadeiras = tarefas * prevalencia * recall
falsas = tarefas * (1 - prevalencia) * falsos_positivos
return verdadeiras + falsas
base = sinalizacoes(prevalencia=0.010, recall=0.80, falsos_positivos=0.0005)
mundo_a = sinalizacoes(prevalencia=0.005, recall=0.80, falsos_positivos=0.0005) # comportamento melhorou
mundo_b = sinalizacoes(prevalencia=0.010, recall=0.37, falsos_positivos=0.0005) # o monitor enxerga menos
for nome, v in [("GPT-5.6 Sol (base)", base), ("mundo A: metade dos casos", mundo_a),
("mundo B: mesmo número de casos, monitor vê 37%", mundo_b)]:
print(f"{nome:48}{v:8.0f} sinalizações ({v/base:4.0%} da base)")
print("\nSem uma medida independente de recall, os dois mundos são indistinguíveis por fora.")GPT-5.6 Sol (base) 459 sinalizações (100% da base)
mundo A: metade dos casos 243 sinalizações ( 53% da base)
mundo B: mesmo número de casos, monitor vê 37% 227 sinalizações ( 49% da base)
Sem uma medida independente de recall, os dois mundos são indistinguíveis por fora.Executado em 7 de setembro de 2026. Prevalência, recall e falsos positivos são hipóteses ilustrativas — a OpenAI não publica nenhum dos três. O ponto não é o valor; é que o número divulgado (sinalizações) não identifica qual dos dois mundos é o real.
A razão técnica para desconfiar da cadeia de pensamento como instrumento é conhecida há um ano e meio. Os grafos de atribuição da Anthropic, aplicados ao Claude 3.5 Haiku, mostraram casos em que a explicação escrita pelo modelo não corresponde ao cálculo que ele de fato executou — a cadeia é uma narrativa, não um log.(Lindsey et al., 2025) O system card do Astra é a primeira vez em que um flagship admite, sobre si mesmo, que essa distância cresceu. Para quem governa sistemas de IA — jurídico, risco, auditoria — a consequência é direta: um controle baseado em ler o que o modelo diz que pensou é um controle cuja cobertura está caindo e cuja queda não é medida.
Para quem constrói, a leitura é mais pragmática. O Astra redefine o ponto preço/desempenho da fronteira, e o faz ao lado de um modelo aberto a um centésimo do preço com quatro pontos a menos no índice. A decisão de usar um ou outro não passa pela cadeia de pensamento de nenhum dos dois; passa por testes de aceitação, por limites de ação e por registro do que o agente fez — não do que disse que ia fazer.
Sete mil petaflops
Depois de dois anos e três adiamentos, o supercomputador do Plano Brasileiro de IA virou um edital: R$ 959 milhões, 7.200 PFLOPS em FP16, Macaíba (RN), propostas até 8 de outubro. É o primeiro passo com número, prazo e documento. Também é menor, em dinheiro e em megawatts, do que o plano prometia.
Em 20 de agosto, em Natal, o governo federal anunciou cerca de R$ 2,5 bilhões em infraestrutura de IA vinculada ao PBIA — o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, lançado em julho de 2024 com R$ 23 bilhões prometidos até 2028.17,20 No dia seguinte, o LNCC, por meio da fundação FACC, publicou o edital do supercomputador: R$ 959.040.959,04; 7.200 PFLOPS em FP16; mais de 50 mil núcleos; cerca de 4 MW; instalação em Macaíba, na região metropolitana de Natal; operação prevista para o fim de 2027; cláusulas de conteúdo local e transferência de tecnologia; propostas até 8 de outubro, às 10h.17,18 O pacote inclui ainda a parceria RNP–Huawei no Rio para modelos em português (R$ 1,276 bilhão em cinco anos), R$ 250 milhões para chips de arquitetura aberta em Campinas e R$ 50 milhões para um centro de transparência algorítmica na UFMG.
| Quando | O que foi dito | Valor | Local | Potência | Operação |
|---|---|---|---|---|---|
| jul 2024 | PBIA lançado; supercomputador de alto desempenho entre as ações do plano | R$ 1,8 bi | Petrópolis (LNCC) | — | — |
| out 2025 | Prazo estimado pelo MCTI para o edital; não publicado | R$ 1,8 bi | Petrópolis | 20 MW | — |
| mar 2026 | Edital adiado para março/abril; Petrópolis descartada por energia; data center da Telebras em Brasília em análise; ~R$ 200 mi já gastos em infraestrutura e engenharia | R$ 1,8 bi | Brasília (em análise) | 20 MW | — |
| ago 2026 | Edital publicado: 7.200 PFLOPS FP16, >50 mil núcleos, conteúdo local, transferência de tecnologia; propostas até 8 out | R$ 959 mi | Macaíba (RN) | ~4 MW | fim de 2027 |
O plano falava em “mais de um quintilhão de cálculos por segundo” sem dizer a precisão; o edital fala em FP16 sem dizer se denso ou esparso. Os dois números não são comparáveis entre si nem com os 19 PFLOPS (FP64) do Santos Dumont.
A tabela conta a história que o anúncio não contou. O supercomputador que chega ao edital custa metade do que o plano orçou, consome um quinto da potência e mudou de estado duas vezes. Não é necessariamente ruim — 4 MW é uma máquina que a rede do RN consegue alimentar, e R$ 959 milhões é um número que sobreviveu ao contingenciamento — mas é uma máquina diferente da prometida, e a diferença não foi explicada. A figura 7 põe as quantias na mesma régua.
O pacote de agosto inclui o edital; as barras não somam. O PBIA tem execução muito abaixo do anunciado até 2025, mas o governo não publica um número consolidado — o que motiva o indicador “dinheiro que virou edital” no painel desta edição.
Ver os dados
| R$ milhões | |
|---|---|
| PBIA anunciado (2024–2028) | 23.000 |
| Pacote de 20 de agosto | 2.500 |
| Supercomputador no plano | 1.800 |
| Edital de Macaíba | 959 |
Quanto é 7.200 PFLOPS
O edital dá um número de FLOPS e não diz como foi medido. Em FP16, uma H100 entrega 989 TFLOPS densos ou 1.979 com esparsidade estruturada — o dobro, no mesmo chip, dependendo de qual linha da folha de dados o fornecedor escolher citar.21 O código 5 converte o edital em GPUs-equivalentes das duas maneiras, calcula quanto cada GPU-equivalente custa e compara a máquina com a referência que o mercado usa.
# 7.200 PFLOPS em FP16: quantas GPUs são, quanto custa cada uma, e quão grande é isso
pflops_edital = 7_200 # FP16, sem dizer se denso ou esparso
valor_brl = 959_040_959.04
cambio = 5.40 # R$/US$, hipótese de trabalho
gpu = { # TFLOPS FP16 em tensor cores (folha de dados NVIDIA)
"H100 SXM (denso)": 989,
"H100 SXM (esparso)": 1979,
"B200 (denso)": 2250,
"B200 (esparso)": 4500,
}
print(f"Edital: {pflops_edital:,} PFLOPS FP16 · R$ {valor_brl/1e6:,.0f} mi · US$ {valor_brl/cambio/1e6:,.0f} mi\n")
for nome, tflops in gpu.items():
n = pflops_edital * 1000 / tflops
print(f"{nome:22}{n:>8,.0f} GPUs-equivalentes US$ {valor_brl/cambio/n:>9,.0f} por GPU")
colossus_h100 = 100_000 # xAI, set 2024, fase 1
print(f"\nColossus (100 mil H100, denso): {colossus_h100*989/1000:,.0f} PFLOPS")
print(f"Macaíba / Colossus: {pflops_edital/(colossus_h100*989/1000):.1%}")
print(f"R$ por PFLOPS: {valor_brl/pflops_edital:,.0f}")Edital: 7,200 PFLOPS FP16 · R$ 959 mi · US$ 178 mi
H100 SXM (denso) 7,280 GPUs-equivalentes US$ 24,395 por GPU
H100 SXM (esparso) 3,638 GPUs-equivalentes US$ 48,815 por GPU
B200 (denso) 3,200 GPUs-equivalentes US$ 55,500 por GPU
B200 (esparso) 1,600 GPUs-equivalentes US$ 111,000 por GPU
Colossus (100 mil H100, denso): 98,900 PFLOPS
Macaíba / Colossus: 7.3%
R$ por PFLOPS: 133,200Executado em 7 de setembro de 2026. O câmbio é hipótese; a folha de dados da NVIDIA dá os TFLOPS; o Colossus de 100 mil H100 é a fase 1 anunciada pela xAI em setembro de 2024. [21, 22] O valor do edital cobre a máquina inteira — rede, armazenamento, refrigeração, instalação — e não só GPUs; o “por GPU” é um teto, não um preço.
Duas leituras. Se o edital for lido como FLOPS densos, a máquina equivale a 7.280 H100 por US$ 24 mil cada — um preço de mercado plausível para um sistema completo em 2026, e um sinal de que o número é realista. Se for lido como esparso, são 3.638 GPUs-equivalentes a US$ 49 mil — caro para H100, barato para B200. A ambiguidade vale, literalmente, metade da máquina, e é o tipo de coisa que uma linha no edital resolveria. Na escala do mercado, os 7.200 PFLOPS são 7% do primeiro Colossus da xAI, de dois anos atrás — o suficiente para treinar modelos de médio porte em português e servir inferência a universidades, e insuficiente para a fronteira. Ninguém prometeu a fronteira; vale dizer isso antes que alguém cobre.
O que o edital não diz
Fornecedor, tipo de GPU e metodologia dos FLOPS não estão especificados. Custos de operação — energia a 4 MW são cerca de 35 GWh por ano, equipe, manutenção — ficam fora do R$ 1 bilhão. As cláusulas de conteúdo local e transferência de tecnologia podem restringir o leque de fornecedores ou encarecer as propostas; ninguém sabe qual dos dois até 8 de outubro. A ministra Luciana Santos afirmou que 60% do processamento brasileiro de IA acontece hoje no exterior; o número não tem fonte pública, e é exatamente o tipo de indicador que este Cinco gostaria de acompanhar.17 O anúncio coincidiu com a primeira viagem do presidente ao Nordeste após lançar candidatura, o que a imprensa local registrou; os totais variam entre R$ 2,3 bilhões (LNCC) e R$ 2,5 bilhões (imprensa).30
Para o engenheiro daqui, o que importa é o que a máquina vai rodar. Os termos do edital — e a parceria com a Huawei para modelos em português, no Rio — vão definir se a pilha disponível será CUDA, Ascend ou as duas, e isso decide quais dos modelos abertos do primeiro movimento poderão ser servidos em solo nacional. O GLM-5.3-Flash, servido segundo a Z.ai em chips domésticos, é a prova de que um modelo competitivo pode rodar fora da NVIDIA. Macaíba é a pergunta sobre se o Brasil vai testar a mesma hipótese — e o edital, por enquanto, não responde.
O que observar
Abertura das propostas do edital de Macaíba. Quem aparece, com que GPU, e se alguém contesta a cláusula de conteúdo local.18
Primeiros resultados do sandbox de IA da ANPD — a regra brasileira sobre explicabilidade, escrita na prática antes da lei.
Fim do preço promocional do GPT-5.6 Sol (US$ 4 / US$ 20). O que a OpenAI fizer com o Sol diz se a tesoura fecha ou abre.7
A ARC Prize Foundation verificar — ou não — os 99,9% do GPT-6 Astra no ARC-AGI-3, rodado com harness próprio da OpenAI.5
Replicações independentes do Hy4-preview (a Tencent prometeu relatório técnico) e do Terminal-Bench 4.0 do Astra. Se o Terminal-Bench mudar de versão, a série do painel recomeça.
Segunda leitura dos seis indicadores. Se o preço aberto permissivo cair abaixo de US$ 0,50 ou o teto do Terminal-Bench 4.0 passar de 60%, será por um dos itens acima.
Fontes
- 1Hy4-preview — model cardArquitetura, licença, benchmarks autorreportados e a admissão de que o modelo “verifica demais”.
- 2
- 3GLM-5.3-Flash — model cardParâmetros, licença MIT, preço. As tabelas de benchmark estão em imagem, não em texto.
- 4GLM-5.3-Flash — anúncioA afirmação sobre chips domésticos e os 100 trilhões de tokens por dia são daqui.
- 5Introducing GPT-6 AstraTabela de benchmarks contra Sol, Fable 5.1, Opus 5 e Gemini 3.8; preço; janela de contexto.
- 6GPT-6 Astra — system cardClassificação no Preparedness Framework, monitorabilidade da cadeia de pensamento, sinalizações no Codex, taxa de injeção de prompt.
- 7OpenAI API pricing — levantamento de setembro de 2026Preços de Astra, Sol, Terra, Luna, 5.5 e 5.4; o corte de 20% na entrada do Sol em 22 de agosto.
- 8GPT-6 Astra pricing: what OpenAI's new flagship costsCamadas de serviço (batch, padrão, rápido), contexto longo, e os preços do Fable 5.1 e do Gemini 3.8 Flash.
- 9Artificial Analysis Intelligence Index — leaderboardLeitura de terceiro do índice, 192 modelos. Usada por consistência: uma data, uma versão.
- 10DeepSeek V4 Pro vs Kimi K3 — comparaçãoLicenças, velocidade de saída, preço combinado. O índice aqui é a versão 4.2 e difere da leitura do BenchLM.
- 11Kimi K3 vs DeepSeek V4 Pro vs GLM-5.2: open trillion-scale MoE models comparedParâmetros totais e ativos, licenças, preços de API e datas dos três modelos.
- 12SWE-bench Science: real-world scientific software engineering119 tarefas, 98 repositórios, 20 domínios; taxonomia de falhas; efeito da orientação científica.
- 13
- 14
- 15SWE-bench Verified — leaderboardOpus 5 96,0; Mythos 5 95,5; Fable 5 95,0; Opus 4.8 88,6; Opus 4.7 87,6 — verificados pelo BenchLM.
- 16Anthropic Claude timelineDatas de lançamento dos modelos Claude de 2024 a 2026. Os pontos de 2024–2025 da figura 4 vêm dos anúncios de cada laboratório.
- 17
- 18Edital — supercomputador de IA (FACC/LNCC)Valor, PFLOPS, núcleos, potência, prazo de 8 de outubro, cláusulas de conteúdo local.
- 19Governo atrasa edital para compra do supercomputador do plano de IAPrazo original de outubro de 2025, adiamento para março/abril, R$ 1,8 bi, 20 MW, Petrópolis descartada, ~R$ 200 mi gastos.
- 20Indicadores do PBIAR$ 23 bilhões em quatro anos; o supercomputador entre as ações. Não publica execução por ano.
- 21NVIDIA H100 Tensor Core GPU — datasheet989 TFLOPS FP16 denso / 1.979 esparso (SXM). B200: 2,25 / 4,5 PFLOPS, pela página do DGX B200.
- 22NVIDIA ethernet networking connects world's largest AI supercomputer, built by xAIColossus, fase 1: 100 mil H100.
- 23GLM-5.3-Flash: cheap tokens, expensive minutes150 milhões de tokens no conjunto de avaliações contra mediana de 110; 49 tokens por segundo contra 88 do GLM-5.3.
- 24
- 25
- 26
- 27
- 28
- 29OpenAI API pricing — página oficial e anúncios de lançamento (2023–2026)GPT-4 (mar 2023) US$ 60; GPT-4 Turbo (nov 2023) 30; GPT-4o (mai 2024) 15 e (ago 2024) 10; GPT-4.1 (abr 2025) 8; GPT-5 (ago 2025) 10 — pelos anúncios de cada lançamento. Datas de 2026 pela Wikipédia (GPT-5.4, 5.5, 5.6).
- 30Supercomputador de Macaíba: o anúncio, as dúvidas e o que vem pela frenteLeitura crítica local: o contexto político da viagem, os totais divergentes.
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