O modelo aberto ficoubarato demais para ignorar
Esta é a primeira edição do Cinco. O formato é o que o nome diz: cinco coisas por semana, escolhidas entre umas duzentas que li, cada uma com o que é, o que foi demonstrado, o que ainda não foi, e por que importa para quem constrói. A fonte original está sempre a um clique.
A semana teve um tema sem que ninguém combinasse: custo. Dois laboratórios chineses lançaram modelos de pesos abertos sob licenças permissivas de verdade — um deles servido, segundo a empresa, só em chips domésticos, a quinze centavos de dólar por milhão de tokens. No mesmo intervalo, a OpenAI lançou o GPT-6 Astra sem mexer no preço, e admitiu no próprio relatório que ler o raciocínio do modelo ficou menos confiável. Um benchmark de Fudan lembrou que, em software científico real, o melhor agente resolve menos da metade dos bugs. E o Brasil publicou, com número e prazo, a licitação do supercomputador do RN.
Se você só tem tempo para um: o segundo.
Os cinco desta semana
- 1
A Tencent abriu um MoE de 770B sob Apache 2.0 — e ele bate o Kimi K3 em código com um quarto dos parâmetros
É o maior lançamento de pesos abertos sob Apache 2.0 do período, e confirma o padrão: laboratórios chineses entregando codificadores agentivos perto da fronteira a uma fração do custo proprietário.
- 2
GLM-5.3-Flash: um modelo MIT de 320B servido inteiramente em chips chineses, a US$ 0,15 por milhão de tokens
É o dado mais claro até agora de que um modelo competitivo pode ser treinado e servido em escala sem hardware NVIDIA — e coloca trabalho agentivo de classe Opus a centavos.
- 3
Em software científico de verdade, o melhor agente de código resolve menos da metade dos bugs
Quantifica a distância entre leaderboards saturados e engenharia de domínio de verdade — exatamente onde engenheiros vão ser cobrados para colocar agentes a seguir.
- 4
GPT-6 Astra: mesmo preço, novo teto nos benchmarks — e um system card que diz que ficou mais difícil monitorar o raciocínio
Para quem constrói, redefine o ponto de preço/desempenho da fronteira; para quem governa, é o primeiro flagship cujo próprio relatório admite que ler o raciocínio está ficando menos confiável.
- 5
O governo publicou a licitação de R$ 959 milhões do supercomputador de IA do Rio Grande do Norte — propostas até 8 de outubro
É o primeiro passo concreto, datado e financiado rumo a capacidade soberana de computação para IA no Brasil — e os termos da licitação vão definir quais pilhas os engenheiros daqui poderão usar.
Receba o próximo Cinco
Terça, 7h, no seu e-mail. Cinco itens, com fonte. Sem newsletter diária, sem promoção, e o descadastro é um clique.
O que estamos construindo
- No arEdição semanal
Cinco
Cinco achados por semana sobre pesquisa e mercado de IA, com fonte, toda terça às 7h.
- No arServiço para empresas
Briefings sob medida
Uma pergunta da sua empresa sobre IA, respondida em dez páginas com fonte e uma hora de conversa — a partir do que o Acervo já leu.
- Em construçãoProduto de agentes
Ofício
Agentes que executam o trabalho repetitivo de empresas brasileiras — com verificação em cada passo e um humano no circuito.
- PrevistoPublicação semestral
Radar GenAI BR
O que adotar, testar, observar e evitar em IA, a cada seis meses, com uma página por item e o que mudou desde a última edição.
- PrevistoRelatório anual
State of AI Brasil
Pesquisa anual com profissionais de IA no Brasil: o que usam, quanto ganham, o que muda — aberta, com dados publicados.
- PrevistoPerfis e leitura
Sala
Um perfil por leitor: o que você guardou, os temas que segue, as trilhas que fez — privado por padrão, público se quiser.
- ConceitoÍndice mensal
Índice de Custo de Inferência
Quanto custa, em reais, rodar IA de verdade: uma cesta fixa de tarefas, reprecificada todo mês em modelos abertos e fechados, servidos aqui e fora.
- ConceitoBase viva
Mapa da IA no Brasil
Quem faz IA no país — laboratórios, empresas, programas públicos, datacenters, leis — cada entrada com fonte e data, num mapa que se atualiza com o Cinco.
- E o catálogo inteiroTodos os projetos→
O que mudou desde a última edição
- A Tencent abriu um MoE de 770B sob Apache 2.0 — e ele bate o Kimi K3 em código com um quarto dos parâmetros
- GLM-5.3-Flash: um modelo MIT de 320B servido inteiramente em chips chineses, a US$ 0,15 por milhão de tokens
- Em software científico de verdade, o melhor agente de código resolve menos da metade dos bugs
- GPT-6 Astra: mesmo preço, novo teto nos benchmarks — e um system card que diz que ficou mais difícil monitorar o raciocínio
- O governo publicou a licitação de R$ 959 milhões do supercomputador de IA do Rio Grande do Norte — propostas até 8 de outubro
- ReAct: intercalar raciocínio e ação foi o que fez os primeiros agentes de linguagem funcionarem
Acervo por tema
Acervo→- Modelos abertos
Pesos abertos, licenças, relatórios técnicos e o que dá para rodar por conta própria.
- Agentes
Sistemas que planejam, usam ferramentas e agem — e como saber quando funcionam.
- Avaliação
Benchmarks, contaminação, leaderboards e a distância entre a nota e o uso real.
- Interpretabilidade
O que acontece dentro do modelo: features, circuitos, fidelidade da cadeia de pensamento.
- Infra e custo
Inferência, GPUs, preço por token, e o que muda quando o custo cai dez vezes.
- Multimodal
Imagem, áudio, vídeo e texto no mesmo modelo — e o que isso custa.
- Regulação e Brasil
PL 2338, ANPD, PBIA, mercado de trabalho e o que acontece com IA daqui.
- Produto
Lançamentos, preços, APIs e decisões de produto que mudam o que dá para construir.
Hoje, uma pessoa: João Campista, em São Paulo. Leio umas duzentas coisas por semana e escolho cinco. A triagem é assistida por IA; a leitura, o julgamento e o texto são meus.