Por que confiar no que a casa publica.
Esta é a carta de compromissos do GenAI BR: para quem escrevemos, como uma edição é feita, o que cada número e cada juízo significam, e o placar do que acertamos e erramos. A página tem versão. Quando o método mudar, muda aqui antes de mudar na prática.
Para quem
Escrevemos para a engenheira que vai colocar um agente em produção na terça, no Brasil.
É uma pessoa concreta, não um público. Ela tem um sistema para entregar, um orçamento de inferência, um comitê que pergunta "por que não o modelo aberto?" e uma hora por semana para saber o que mudou de verdade. O Cinco é escrito para essa hora. Se um parágrafo não muda o que ela faz na terça, ele sai.
Em volta dela há dois anéis. Quem decide — compra, contratação, arquitetura, regulação — lê o que ela lê, mas precisa do resultado em uma página: é para esse anel que existe o segundo corte, o Cinco para quem decide. E quem está começando, que prefere cinco coisas explicadas a cinquenta manchetes, e encontra no Acervo o glossário e as trilhas.
O que a leitora não é: um investidor procurando tese, um jornalista procurando manchete, um fornecedor procurando validação. São bem-vindos; a página não é escrita para eles.
- A engenheira
Constrói com IA e precisa saber o que mudou de verdade, não o que foi anunciado. O ensaio inteiro é para ela: a tese, os movimentos, o código.
- Quem decide
Compra, contrata, desenha a arquitetura ou regula. Lê os juízos e o painel; a partir de outubro, recebe a mesma semana em uma página.
- Quem começa
Prefere cinco itens explicados a cinquenta manchetes. Entra pelo glossário e pelas trilhas do Acervo, e sobe quando quiser.
Como uma edição é feita
Uma apuração, dois cortes.
A semana começa com uma pilha de umas duzentas coisas — papers, repositórios, documentos oficiais, anúncios — e termina com uma tese sustentada por cinco movimentos. O funil abaixo mostra as etapas e o dia de cada uma. A triagem inicial é assistida por IA; a leitura, a verificação, o código e o texto são de uma pessoa.
Duzentos viram cinco
O funil de uma semana típica. Os números são médias das primeiras semanas e vão ser atualizados a cada edição.
- ~200lidos de relance
Títulos, resumos e metadados de tudo o que saiu: arXiv, repositórios, anúncios, Diário Oficial. A triagem assistida por IA marca o que merece leitura.
- ~40lidos de verdade
Paper inteiro, código aberto, documento na íntegra. Aqui a IA sai de cena.
- 12verificados
Cada número conferido contra a fonte. Autorreportado marcado. As contas que sustentam o argumento viram código e são executadas.
- 5publicados
Os movimentos que sustentam a tese da semana. Cada fonte primária entra no Acervo com data — e fica.
O filtro
Uma pergunta decide o que entra: isso muda uma decisão de quem constrói nos próximos meses? Cinco critérios a sustentam.
- 1Fonte primária ou nada
Todo item leva ao paper, ao código, ao documento oficial ou ao anúncio original. Cobertura de imprensa entra como leitura complementar, nunca como fonte.
- 2Resultado antes de opinião
Cada verbete separa o que foi demonstrado do que ainda não foi. Números autorreportados são marcados como tais.
- 3Relevância para quem constrói
Entra o que muda uma decisão de engenharia, produto ou compra nos próximos meses. Fica de fora o que é só barulho, mesmo que seja notícia.
- 4Brasil quando há documento
Regulação, dinheiro público e mercado de trabalho entram quando existe texto oficial, número ou prazo — não quando existe só promessa.
- 5Conflitos declarados
Quando um item toca em algo com que a casa tem relação, isso vai escrito no verbete.
Os dois cortes
É a regra da Economist: uma apuração, várias formas. O que muda entre os cortes é a densidade, nunca a conclusão.
- CincoNo ar desde setembro de 2026
O ensaio. A tese, cinco juízos com grau de confiança, o painel, cinco movimentos com figuras e código executado, o que observar, as fontes numeradas. Quarenta minutos de leitura séria, toda terça às 7h.
- Cinco para quem decidePrevisto para outubro de 2026
A mesma semana em uma página: o que mudou, o que fazer com isso, o que ainda não está provado. Nada nele que não esteja apurado no ensaio; nenhum juízo diferente entre os dois.
Toda edição tem as mesmas sete partes
À esquerda, a edição nº 1 de verdade. À direita, o que cada parte promete. É a repetição que torna uma semana comparável à outra — e cobrável.
Em 2023, o modelo mais capaz do mundo cobrava US$ 60 por milhão de tokens de saída. Em abril de 2025 cobrava US$ 8. Na quinta-feira passada, o GPT-6 Astra saiu a US$ 50 — o mesmo preço do Claude Fable 5.1, e duas vezes e meia o do modelo que a OpenAI lançou em junho. No mesmo intervalo de duas semanas, a Z.ai colocou um modelo de 320 bilhões de parâmetros, sob licença MIT, servido segundo a empresa só em chips chineses, a US$ 0,50. A distância entre as duas pontas é de cem vezes. É isso que chamamos de tesoura: as lâminas se afastam, e o que está entre elas é o mercado inteiro de quem constrói com IA.
1Para trabalho agentivo de classe 2026, o custo por token deixou de decidir entre fechado e aberto. O que decide é confiabilidade no domínio, governança do raciocínio e onde o modelo roda.
100×A tesoura — fronteira fechada ÷ aberto permissivo
IIQuinze centavos
Autorreportado no model card: 65,7% no SWE-bench Pro. Não há relatório técnico. Nenhuma das quatro pontuações foi replicada.
Abertura das propostas do edital de Macaíba. Quem aparece, com que GPU, e se alguém contesta a cláusula de conteúdo local.
1Hy4-preview — model card
Três parágrafos que dizem o que a semana significa, não o que aconteceu. Se você só ler isso, saiu sabendo a posição da casa.
Cinco conclusões, cada uma com grau de confiança — alta, moderada, baixa — no vocabulário da análise de inteligência. A próxima edição volta nelas.
Seis indicadores fixos, lidos de novo a cada semana: preço da fronteira, preço do aberto, a tesoura, dois tetos de benchmark, dinheiro público que virou edital.
Cinco capítulos do mesmo argumento. Cada um com uma figura ou uma demonstração de código executado — e a tabela dos dados sempre a um clique.
Autorreportado ou independente, em todo número. Amostra, intervalo, harness. O que não sabemos vai escrito.
Datas e condições que confirmariam ou desmentiriam os juízos — para que a edição seguinte possa ser cobrada.
Numeradas, datadas, com o que tiramos de cada uma. Imprensa só quando é a única fonte, e dito.
O que os números significam
Um número nesta casa é um número publicado por alguém, com a fonte ao lado. Nunca uma estimativa nossa apresentada como dado.
- Autorreportado ou independente
- Todo resultado diz quem mediu. Um número do próprio laboratório é marcado como autorreportado; uma replicação é dita como tal. Os dois nunca dividem uma barra sem aviso.
- Barra sempre do zero
- Nunca truncamos o eixo de um gráfico de barras. Se a diferença só aparece com o eixo cortado, a diferença não é o argumento.
- Uma escala por gráfico, e o log declarado
- Cada figura tem uma escala. Quando ela é logarítmica — preços, parâmetros — está no subtítulo, e as marcas do eixo mostram.
- Rótulo direto, não legenda
- O nome fica ao lado do ponto ou da linha. Uma dispersão sem nome em cada ponto é uma nuvem, não um argumento.
- Toda figura tem a tabela
- Cada gráfico traz os dados em tabela, a um clique, com a fonte. O que não dá para ler em tabela não vira gráfico.
- Código executado, não ilustrativo
- Quando uma conta sustenta o argumento, ela está em código, foi executada, e a saída publicada é a saída real, com a data. Se você rodar e der diferente, escreva.
- Amostra e intervalo, quando existem
- Um benchmark de 119 tarefas não separa dois modelos por dois pontos; dizemos quando a diferença é ruído. Quando o intervalo não foi publicado, dizemos que não foi.
- Números em português
- US$ 0,50, 47,9%, 7.000 petaflops. Vírgula decimal e ponto de milhar, como no país em que a página é lida.
O vocabulário dos juízos
Cada edição fecha com juízos: o que concluímos e o quanto confiamos, no vocabulário da análise de inteligência (a diretiva ICD 203, adaptada).
- Confiança alta
- Fontes independentes convergem, o mecanismo é conhecido e o histórico é bom. Ficaríamos surpresos em estar errados.
- Confiança moderada
- A evidência é plausível e consistente, mas tem uma lacuna: uma fonte só, um número autorreportado, um prazo curto. É a nossa leitura, e pode mudar.
- Confiança baixa
- A evidência é fragmentária ou o histórico é ruim. Publicamos porque a pergunta importa, não porque a resposta esteja firme.
O que acontece depois
Todo juízo nasce aberto e ganha, em "O que observar", as datas e condições que o confirmariam ou desmentiriam. A edição que passa por essas datas volta nele — confirmado, refutado ou revisto — com uma linha dizendo o que aconteceu. Nunca apagamos um juízo errado; o placar abaixo é a soma de todos.
- aberto
- Publicado, esperando as datas de "O que observar".
- confirmado
- A condição aconteceu. Fica no placar como acerto, com a edição que o fechou.
- refutado
- O contrário aconteceu, ou o prazo passou sem a condição. Fica no placar como erro, com a mesma visibilidade.
- revisto
- Mudamos a redação ou a confiança antes do prazo. O texto anterior fica visível.
Indicadores
Seis séries fixas, lidas de novo a cada edição. Cada leitura é um número publicado por alguém, com a fonte. Quando o método de um indicador muda, a série recomeça e a anterior fica. A série inteira está aqui e em CSV.
Baixar a série em CSV↓Preço da fronteira fechada
Como é medido. Preço de lista, contexto curto, do modelo mais caro de uso geral entre OpenAI, Anthropic e Google no dia da edição.
- nº 1US$ 5008 de set. de 2026 · GPT-6 Astra e Claude Fable 5.1 · openai.com
Edição Data Valor Quem Fonte nº 1 08 de set. de 2026 US$ 50 GPT-6 Astra e Claude Fable 5.1 openai.com Preço do aberto permissivo
Como é medido. Menor preço de lista, na API do próprio laboratório, entre modelos de pesos abertos sob MIT ou Apache 2.0 com Índice de Inteligência (Artificial Analysis) ≥ 55.
- nº 1US$ 0,5008 de set. de 2026 · GLM-5.3-Flash (Z.ai) · huggingface.co
Edição Data Valor Quem Fonte nº 1 08 de set. de 2026 US$ 0,50 GLM-5.3-Flash (Z.ai) huggingface.co A tesoura
Como é medido. Razão entre os dois indicadores acima. Mede a distância de preço, não de capacidade.
- nº 1100×08 de set. de 2026 · 50 ÷ 0,50 · Preço da fronteira fechada
Edição Data Valor Quem Fonte nº 1 08 de set. de 2026 100× 50 ÷ 0,50 Preço da fronteira fechada Teto do Terminal-Bench 4.0
Como é medido. Maior pontuação divulgada na versão corrente do Terminal-Bench, autorreportada ou independente — sempre dito qual. Quando a versão muda, a série recomeça.
- nº 157,9%08 de set. de 2026 · GPT-6 Astra, autorreportado · openai.com
Edição Data Valor Quem Fonte nº 1 08 de set. de 2026 57,9% GPT-6 Astra, autorreportado openai.com Teto do SWE-bench Science
Como é medido. Melhor modelo no leaderboard mantido pelo grupo OpenMOSS (Fudan), independente dos fornecedores. 119 tarefas: diferenças de poucos pontos são ruído.
- nº 147,9%08 de set. de 2026 · Claude Opus 5, esforço máximo · swescience.github.io
Edição Data Valor Quem Fonte nº 1 08 de set. de 2026 47,9% Claude Opus 5, esforço máximo swescience.github.io PBIA: dinheiro que virou edital
Como é medido. Soma dos editais publicados com valor e prazo dentro do Plano Brasileiro de IA (R$ 23 bilhões anunciados para 2024–2028). Anúncios e parcerias sem edital não entram.
- nº 195908 de set. de 2026 · Supercomputador de Macaíba (LNCC/FACC) · facc.org.br
Edição Data Valor Quem Fonte nº 1 08 de set. de 2026 959 Supercomputador de Macaíba (LNCC/FACC) facc.org.br
Placar dos juízos
- 5
- 5
- 0
- 0
- 0
Todos os juízos publicados, de todas as edições, com o estado de cada um. Gerado do conteúdo das edições, não digitado à mão.
Para trabalho agentivo de classe 2026, o custo por token deixou de decidir entre fechado e aberto. O que decide é confiabilidade no domínio, governança do raciocínio e onde o modelo roda.
A distância de ~100× entre a fronteira fechada e o aberto permissivo deve persistir pelos próximos dois trimestres: os laboratórios fechados estão precificando raciocínio e agência, não tokens, e os abertos estão precificando adoção.
O SWE-bench Verified deixou de discriminar entre modelos de fronteira; leaderboards de domínio com amostra pequena também não separam os cinco primeiros. Quem decide compra precisa de avaliação própria.
A monitorabilidade da cadeia de pensamento vai continuar caindo nos flagships. “Ler o raciocínio” não deve ser tratado como controle de segurança em nenhum sistema em produção.
É provável que o supercomputador de Macaíba seja contratado em 2026; é pouco provável que opere no prazo anunciado (fim de 2027), dado o histórico de três adiamentos e a ausência de custos de operação no edital.
| Edição | Juízo | Confiança | Estado |
|---|---|---|---|
| nº 1 | Para trabalho agentivo de classe 2026, o custo por token deixou de decidir entre fechado e aberto. O que decide é confiabilidade no domínio, governança do raciocínio e onde o modelo roda. | moderada | aberto |
| nº 1 | A distância de ~100× entre a fronteira fechada e o aberto permissivo deve persistir pelos próximos dois trimestres: os laboratórios fechados estão precificando raciocínio e agência, não tokens, e os abertos estão precificando adoção. | moderada | aberto |
| nº 1 | O SWE-bench Verified deixou de discriminar entre modelos de fronteira; leaderboards de domínio com amostra pequena também não separam os cinco primeiros. Quem decide compra precisa de avaliação própria. | alta | aberto |
| nº 1 | A monitorabilidade da cadeia de pensamento vai continuar caindo nos flagships. “Ler o raciocínio” não deve ser tratado como controle de segurança em nenhum sistema em produção. | alta | aberto |
| nº 1 | É provável que o supercomputador de Macaíba seja contratado em 2026; é pouco provável que opere no prazo anunciado (fim de 2027), dado o histórico de três adiamentos e a ausência de custos de operação no edital. | baixa | aberto |
O que não fazemos
- Não treinamos modelos, não vendemos curso, não fazemos evento
- Lemos, verificamos e escrevemos. O dinheiro vem de briefings para empresas e, a partir de 2027, do Radar e do State of AI Brasil. Ler o Cinco é grátis.
- Não publicamos sem fonte primária
- Um item sem paper, código, documento ou anúncio original não entra, por mais que seja notícia. Imprensa é leitura complementar, e dito.
- Não fazemos previsão sem grau de confiança
- Todo juízo diz o quanto confiamos nele e o que o desmentiria. Opinião sem isso não é publicada como juízo.
- Não apagamos o que erramos
- Um juízo refutado fica no placar. Um erro de fato é corrigido no verbete com o texto anterior visível, e listado nas correções.
- Não aceitamos conteúdo pago disfarçado
- Patrocínio de artefatos — Radar, State of AI — só sem influência editorial e com o nome na capa. Um item pago com cara de verbete, nunca.
- Não deixamos a IA decidir o que importa
- Ela tria e organiza; a escolha, a verificação e o texto são de uma pessoa. Está escrito abaixo exatamente onde ela entra.
- Não rastreamos quem lê
- Nenhum script de terceiros. O único formulário pede um e-mail e diz para onde ele vai.
- Não publicamos mais para parecer maior
- Uma edição por semana, o mesmo formato. Quando a casa crescer, vai ser para ler mais fundo.
Política de IA
Usamos IA onde ela é boa e dizemos exatamente onde. Se isto mudar, esta página muda primeiro.
- Triagem
- Filtrar centenas de itens por semana, extrair metadados (autores, data, tipo de fonte, código disponível) e apontar o que merece leitura.
- Deduplicação
- Agrupar o mesmo resultado publicado em três lugares diferentes.
- Tradução
- A versão em inglês deste site é traduzida com IA a partir do português e revisada por uma pessoa. O português é o original.
- Código
- Este site foi desenhado e programado com um assistente de IA, sob direção e revisão humanas, decisão por decisão. Está descrito em "Como este site foi feito", na página Sobre.
- Escolher os movimentos
- A seleção é humana. A IA sugere leitura; não decide o que importa.
- Escrever o texto final
- Nenhum parágrafo publicado é gerado por máquina. O que você lê numa edição ou num verbete foi escrito por quem leu a fonte.
- Verificar números
- Cada número é conferido por uma pessoa contra a fonte primária. A IA erra números com confiança; por isso não faz esta parte.
- Assinar
- Toda edição tem uma assinatura. É uma pessoa, com nome, respondendo pelo que está escrito.
Correções
Erros são corrigidos no verbete ou na edição, com a data e o texto anterior visível, e listados aqui. Um erro que muda a conclusão de um movimento ganha uma nota na edição seguinte.
Nenhuma correção registrada até agora. A primeira vai aparecer aqui, com data — e é provável que exista.
Versões
Cada mudança no método ganha uma linha aqui, com data. Mudança de prática sem mudança aqui é um erro nosso — e cabe na seção de correções.
- v1
Primeira versão. Reúne o que estava espalhado pela página Sobre — como escolhemos, a anatomia da edição, a política de IA, as correções — e acrescenta a leitora, os dois cortes, o vocabulário dos juízos, as regras dos números, o placar e a série dos indicadores.
Receba o próximo Cinco
Terça, 7h, no seu e-mail. Cinco itens, com fonte. Sem newsletter diária, sem promoção, e o descadastro é um clique.