O que você chama não é o que responde
A DeepSeek avisou que o `deepseek-v4-pro` passaria a ser atendido por outro modelo, a outro preço; a OpenAI transformou o harness de agentes em produto gerenciado; e a régua que todo comparativo usa mudou de escala na segunda-feira anterior. Cinco movimentos sobre o que muda sem que o seu código mude.
Na quinta-feira, 10 de setembro, a DeepSeek lançou o V4.1-Flash e, no mesmo aviso, escreveu uma linha que vale mais do que o modelo: a partir das 4h (UTC) de 14 de setembro, toda chamada ao `deepseek-v4-pro` seria atendida pelo V4.1-Flash, cobrada pela tarifa dele, até o V4.1-Pro sair.[1] Ninguém precisa mudar uma linha de código para ser afetado. No mesmo dia, a OpenAI abriu em beta pública a Agents API, um harness de agente em que ela cuida da sessão, da compactação de contexto e da recuperação de falhas.[4] E três dias antes, a Artificial Analysis trocou a versão do índice que quase todo comparativo de modelos cita: a v4.3 baixou a nota de todo mundo.[6]
A tese desta edição: o que mudou a conta de quem opera agentes nesta semana não foi um modelo novo. Foram três camadas que ficam entre o seu código e o modelo — o nome que você chama, o harness que executa e a régua que compara — e as três mudaram sem pedir licença. Quem coloca agente em produção precisa fixar versão, registrar qual modelo respondeu cada chamada e manter uma avaliação própria, porque nem o nome, nem a orquestração, nem o placar público ficam parados.
Os movimentos seguem essa ordem: o apelido que troca de modelo, o harness que vira produto, a régua que mudou, os dois placares que medem agentes e o dinheiro do plano brasileiro de IA que já virou edital — com uma correção do nosso próprio painel. Se só der tempo para um: o terceiro.
Juízos
- 1
Até o fim de 2026, outro grande provedor de API vai fazer o que a DeepSeek fez: atender um nome de modelo existente com um modelo diferente, a outro preço, por aviso no changelog.
- 2
A Agents API sai do beta até 31 de março de 2027, e o harness gerenciado vira o caminho padrão da OpenAI para agentes novos.
- 3
A próxima versão do índice da Artificial Analysis vai mudar as notas absolutas o bastante para quebrar qualquer corte fixo. Quem usa o índice como limiar precisa de uma regra relativa, como a que o painel adotou.
- 4
O GPT-6 Astra deixa o primeiro lugar do SWE-bench Science até 31 de março de 2027.
- 5
O resultado da Chamada RHAE IA sai até 31 de dezembro de 2026 e compromete os R$ 50 milhões inteiros.
Painel
Como cada indicador é medido
- Preço da fronteira fechada.
- Preço de lista, contexto curto, do modelo mais caro de uso geral entre OpenAI, Anthropic e Google no dia da edição.
- Preço do aberto permissivo.
- Desde o nº 2: preço de lista de saída, na API do próprio laboratório, do modelo de pesos abertos sob MIT ou Apache 2.0 mais bem colocado no Índice de Inteligência da Artificial Analysis. Até o nº 1, era o menor preço entre os abertos permissivos com índice ≥ 55 — um corte que a escala nova do índice (v4.3, 7 de setembro) deixou sem nenhum modelo.
- A tesoura.
- Razão entre os dois indicadores acima. Mede a distância de preço, não de capacidade.
- Teto do Terminal-Bench 4.0.
- Maior pontuação divulgada na versão corrente do Terminal-Bench, autorreportada ou independente — sempre dito qual. Quando a versão muda, a série recomeça.
- Teto do SWE-bench Science.
- Melhor modelo no leaderboard mantido pelo grupo OpenMOSS (Fudan), independente dos fornecedores. 119 tarefas: diferenças de poucos pontos são ruído.
- PBIA: dinheiro que virou edital.
- Soma dos editais e chamadas publicados com valor fixo e prazo cujo objeto declara o Plano Brasileiro de IA (R$ 23 bilhões anunciados para 2024–2028). Anúncios, parcerias sem edital e fundos com faixa de aporte em vez de valor não entram.
O apelido que troca de modelo
O DeepSeek-V4.1-Flash tem 552 bilhões de parâmetros e usa 8 para ler e 16 para escrever. A notícia, porém, é outra: segundo o aviso da empresa, a partir de 14 de setembro quem chama `deepseek-v4-pro` recebe esse modelo.
Em 10 de setembro a DeepSeek publicou o V4.1-Flash, com pesos no Hugging Face sob licença MIT. É um mixture-of-experts de 552 bilhões de parâmetros com uma arquitetura que a empresa chama de Causal Encoder–Decoder: 40 camadas, 8 bilhões de parâmetros ativos na leitura do prompt (prefill) e 16 bilhões na geração (decode). O cache de atenção fica em um quarto do que ocuparia em memória de GPU, e em um oitavo quando vai para SSD.1,2 Todos os números são da DeepSeek; nenhum foi replicado por terceiros até o fechamento.
Os metadados do repositório no Hugging Face mostram 763 bilhões de parâmetros; o anúncio fala em 552, e nenhum dos dois documentos explica a diferença. Usamos o número do anúncio.
Ver os dados
| bilhões de parâmetros | |
|---|---|
| Total no modelo | 552 |
| Ativos na escrita (decode) | 16 |
| Ativos na leitura (prefill) | 8 |
Separar a leitura da escrita é a ideia técnica da semana: o prompt, que em agentes costuma ser muito maior do que a resposta, passa por metade dos parâmetros que a escrita usa. Mas a linha que muda a conta de quem já usa a DeepSeek está no mesmo aviso, três parágrafos abaixo: a partir das 4h (UTC) de 14 de setembro, as chamadas a deepseek-v4-pro passam a ser atendidas pelo V4.1-Flash e cobradas pela tarifa dele, “até o lançamento do V4.1-Pro”. O deepseek-v4-flash e o modelo experimental de visão foram aposentados no mesmo dia, e o nome recomendado agora é deepseek-flash, sem versão.1 A tabela 1 resume quem responde a cada nome.
| Nome chamado | Quem responde depois de 14/9 | Cobrado como |
|---|---|---|
deepseek-flash | V4.1-Flash | V4.1-Flash |
deepseek-v4-flash | V4.1-Flash (o V4-Flash foi aposentado) | V4.1-Flash |
deepseek-v4-flash-vision-exp | V4.1-Flash (o modelo experimental foi aposentado) | V4.1-Flash |
deepseek-v4-pro | V4.1-Flash, até o V4.1-Pro sair | V4.1-Flash |
Na data de publicação desta edição, a página de preços da DeepSeek lista o V4-Pro (versão 0813) com preço próprio — US$ 3,96 por milhão de tokens de saída no horário de pico, US$ 1,98 fora dele —, e o aviso de 10 de setembro continua no ar, sem nota de reversão. [1, 3] As duas páginas não concordam, e a DeepSeek não disse qual vale.
Redirecionar um nome antigo para um modelo novo não é novidade — todo provedor faz isso com apelidos como latest. O que muda aqui é que deepseek-v4-pro parecia um nome fixo, com versão no próprio nome, e passou a apontar para um modelo de outra família, com outro tamanho e outro preço. Para quem tem um agente em produção, as consequências são concretas: a avaliação que aprovou o V4 Pro deixou de valer para o que está respondendo; a fatura muda sem mudança de código; e um log que guarda só o nome chamado não diz qual modelo produziu cada resposta.
O harness virou produto
A Agents API da OpenAI assume a sessão, a compactação de contexto e a recuperação de falhas — a parte do agente que cada equipe escrevia sozinha. Menos código para manter; mais estado guardado na casa de outro.
Em 10 de setembro a OpenAI abriu em beta pública a Agents API. A empresa a descreve como um harness do Codex gerenciado: ela cuida da orquestração da sessão, da compactação do contexto quando a janela enche e da recuperação quando algo falha. A sessão é “uma instância durável de um agente”, que atravessa turnos; o progresso chega por streaming ou webhook; o agente usa ferramentas próprias do cliente e servidores MCP; e roda numa sandbox hospedada pela OpenAI, na infraestrutura do cliente (type: self_hosted) ou num provedor parceiro.4,5 O rótulo de beta está no próprio código: o namespace client.beta.agents e o cabeçalho OpenAI-Beta: agents=v1.5
Até aqui, o harness — o laço que chama o modelo, executa a ferramenta, guarda o estado, resume o contexto quando ele estoura e recomeça depois de um erro — era código da sua equipe, escrito à mão ou montado sobre um framework. É a parte do agente que menos aparece em demonstração e mais quebra em produção. A tabela 2 mostra o que passa para a OpenAI e o que continua com você.
| Parte do agente | Com a Agents API | No seu harness |
|---|---|---|
| Estado da sessão | Sessão durável, guardada pela OpenAI | Onde você decidir guardar |
| Compactação do contexto | Regra da OpenAI | Regra sua, testável |
| Recuperação de falhas | Da OpenAI | Sua |
| Ferramentas | Suas ferramentas e servidores MCP | Suas ferramentas e servidores MCP |
| Onde o código roda | Sandbox da OpenAI, sua ou de parceiro | Onde você rodar |
| Progresso | Streaming ou webhook | O que você implementar |
A descrição das capacidades é da própria OpenAI. A data e o rótulo “beta pública” vêm do changelog.
A troca é menos código por mais dependência, e a dependência fica justamente na parte mais difícil de migrar: o estado. Um agente cujo histórico vive numa sessão do fornecedor, compactada pelas regras do fornecedor, não se muda para outro modelo trocando uma linha. A sandbox no próprio servidor reduz o problema do dado sensível, não o do estado. Antes de adotar, vale testar duas coisas com dados de mentira: se dá para exportar a sessão inteira num formato que você consiga ler, e o que o agente ainda sabe depois que a compactação roda.
A semana operacional
O resto do changelog da semana é de quem já está em produção. Em 8 de setembro, a OpenAI publicou diagnósticos de cache de prompt — para saber por que uma chamada não aproveitou o cache que você esperava. Em 10 de setembro, chaves de API de projeto passaram a aceitar data de expiração, e o GPT-Live 1, modelo de voz em tempo real, saiu da prévia.4 Nada disso dá manchete. Tudo isso reduz a conta ou o risco de quem já opera: uma chave que vence sozinha é uma chave vazada a menos, e um cache que se explica é dinheiro que deixa de escapar sem ninguém ver.
Todo mundo perdeu dez pontos
A versão 4.3 do Índice de Inteligência da Artificial Analysis trocou dois testes e deu mais peso aos conjuntos privados. As notas caíram de 8 a 15 pontos, o ranking mal mudou — e todo corte fixo baseado no índice deixou de funcionar, inclusive o do nosso painel.
Na segunda-feira, 7 de setembro, a Artificial Analysis publicou a versão 4.3 do seu Índice de Inteligência — o número que quase todo comparativo de modelos cita, inclusive este. Três mudanças: o Terminal-Bench 2.1 deu lugar ao Terminal-Bench 4.0, com peso de 10%; o τ³-Banking deu lugar ao AutomationBench-AA, com 5%; e os conjuntos privados, que nenhum laboratório consegue ver antes do teste, passaram de 40% para 45% do índice.6 O ranking quase não se mexeu: GPT-6 Astra e Claude Fable 5.1 empatados em 53, Claude Opus 5 com 51, GPT-5.6 Sol com 47. As notas, sim. A figura 2 mostra os mesmos seis modelos nas duas réguas.
A v4.3 publica notas inteiras. O DeepSeek V4 Pro ficou de fora porque a versão medida mudou entre as duas leituras.
Ver os dados
| v4.2 (4 set) | v4.3 (7 set) | |
|---|---|---|
| Claude Fable 5.1 | 65,7 | 53,0 |
| Claude Opus 5 | 63,0 | 51,0 |
| GPT-6 Astra | 61,2 | 53,0 |
| GPT-5.6 Sol | 58,9 | 47,0 |
| GLM-5.3-Flash (aberto, MIT) | 57,5 | 42,0 |
| GPT-5.6 Terra | 55,0 | 42,0 |
O Opus 5 e o Astra trocaram de lugar (63,0 contra 61,2 na v4.2; 51 contra 53 na v4.3) e o Fable 5.1 caiu para o empate com o Astra — diferenças de dois pontos, dentro do ruído de um índice desse tipo. O que a figura mostra de verdade é a escala: o número absoluto de um modelo no índice depende da versão do índice tanto quanto do modelo. O código 1 faz a conta das quedas.
# Índice de Inteligência da Artificial Analysis: os mesmos modelos, duas réguas
v42 = { # leitura de 4 de setembro (v4.2)
"Claude Fable 5.1": 65.7, "Claude Opus 5": 63.0, "GPT-6 Astra": 61.2,
"GPT-5.6 Sol": 58.9, "GLM-5.3-Flash": 57.5, "GPT-5.6 Terra": 55.0,
}
v43 = { # artigo de 7 de setembro (v4.3)
"Claude Fable 5.1": 53, "Claude Opus 5": 51, "GPT-6 Astra": 53,
"GPT-5.6 Sol": 47, "GLM-5.3-Flash": 42, "GPT-5.6 Terra": 42,
}
abertos = {"GLM-5.3-Flash"}
print(f"{'modelo':18}{'v4.2':>6}{'v4.3':>6}{'queda':>7}")
for m in v42:
print(f"{m:18}{v42[m]:>6.1f}{v43[m]:>6}{v42[m] - v43[m]:>7.1f}")
fechados = [v42[m] - v43[m] for m in v42 if m not in abertos]
print(f"\nqueda média dos fechados: {sum(fechados) / len(fechados):.1f}")
print(f"queda do aberto (GLM-5.3-Flash): {v42['GLM-5.3-Flash'] - v43['GLM-5.3-Flash']:.1f}")
print(f"modelos com índice >= 55 na v4.3: {sum(v >= 55 for v in v43.values())}")modelo v4.2 v4.3 queda
Claude Fable 5.1 65.7 53 12.7
Claude Opus 5 63.0 51 12.0
GPT-6 Astra 61.2 53 8.2
GPT-5.6 Sol 58.9 47 11.9
GLM-5.3-Flash 57.5 42 15.5
GPT-5.6 Terra 55.0 42 13.0
queda média dos fechados: 11.6
queda do aberto (GLM-5.3-Flash): 15.5
modelos com índice >= 55 na v4.3: 0Executado em 23 de outubro de 2026 com Python 3.13. Valores da figura 2.
Os fechados caíram 11,6 pontos em média; o único aberto da amostra, o GLM-5.3-Flash, caiu 15,5. Um modelo só não sustenta conclusão nenhuma, mas a direção é a que se esperaria de um índice que dá mais peso ao que ninguém viu antes: um teste privado está menos exposto a contaminação, e quem teria se beneficiado de dados de teste vazados perde mais quando eles pesam menos. É uma hipótese, e a próxima versão do índice vai testá-la sozinha.
O corte que o painel usava
A última linha da saída é a que nos obriga a corrigir o painel. O indicador “preço do aberto permissivo” lia o menor preço entre os modelos MIT ou Apache 2.0 com índice ≥ 55. Na v4.3, nenhum modelo, aberto ou fechado, chega a 55. Em vez de baixar o corte para onde os números caíram — e baixar de novo na próxima versão —, o indicador passa a seguir o aberto permissivo mais bem colocado no índice, seja qual for a nota. Hoje é o próprio GLM-5.3-Flash, com índice 42, a US$ 0,50 por milhão de tokens de saída. O valor não mudou; o método, sim. A série recomeça nesta edição, e o painel diz isso ao lado do número.
Dois placares, duas medidas do mesmo modelo
No Terminal-Bench 4.0, a medição independente deu ao GPT-6 Astra mais do que a OpenAI tinha dado — e aos concorrentes, números diferentes dos que a OpenAI publicou. No SWE-bench Science, o Astra passou o Opus 5 por três bugs.
No lançamento do GPT-6 Astra, a OpenAI publicou uma tabela com o próprio modelo e os concorrentes no Terminal-Bench 4.0: 57,9% para o Astra, 55,8% para o Claude Fable 5.1, 44,5% para o Claude Opus 5 e 37,3% para o GPT-5.6 Sol.8 Foi esse o número que o nº 1 usou. No mesmo 7 de setembro em que fechamos aquela edição, a Artificial Analysis publicou a sua medição, com protocolo declarado: as 66 tarefas, três rodadas, média de pass@1.6 A figura 3 põe as duas lado a lado.
A Artificial Analysis rodou cada modelo no esforço máximo disponível. O harness dos dois lados não é o mesmo.
Ver os dados
| OpenAI, no lançamento | Artificial Analysis | |
|---|---|---|
| GPT-6 Astra | 57,9% | 59,1% |
| Claude Fable 5.1 | 55,8% | 52,0% |
| Claude Opus 5 | 44,5% | 49,0% |
| GPT-5.6 Sol | 37,3% | 39,9% |
Nenhuma das diferenças é escândalo: com 66 tarefas, cada uma vale 1,5 ponto, e três delas cobrem a maior distância da figura. O ponto é outro. Uma tabela de lançamento junta números de origens diferentes sem dizer qual é qual: a da OpenAI deu ao Fable 5.1 quase quatro pontos a mais e ao Opus 5 quatro e meio a menos do que a medição independente, e não informa quem rodou essas linhas, nem como. A ordem entre os quatro não mudou; a distância entre eles, sim.
Há uma terceira fonte, que o nº 1 também não leu: o placar oficial, no site do Terminal-Bench, onde cada laboratório submete o próprio agente — Codex, Claude Code — com cinco rodadas por tarefa. Lá, o Fable 5.1 no esforço máximo aparece com 57,9% desde 3 de setembro; o Astra, com 58,2%, numa linha criada no mesmo dia e atualizada em 10 de setembro; o Opus 5, com 51,8%.16 São números dos próprios laboratórios, mas num protocolo comum e com intervalo de confiança publicado — perto de três pontos para cada lado, o que cobre quase todas as diferenças da figura 3.
Três bugs de vantagem
No SWE-bench Science — os 119 bugs reais de software científico que o nº 1 apresentou —, o GPT-6 Astra entrou no placar em 10 de setembro com 50,42%, rodando no Codex com esforço máximo. O líder anterior, o Claude Opus 5, tinha 47,90%.9 Em tarefas: 60 contra 57. Pela conta de ruído que fizemos no nº 1, cujo intervalo de confiança tem quase dezoito pontos de largura nessa faixa, três tarefas não separam dois modelos. O placar tem novo primeiro colocado; a medida não tem novo campeão.
A lição das duas medidas é a mesma do movimento anterior, por outro caminho: um número de benchmark só se compara com outro medido pelo mesmo grupo, com o mesmo harness, na mesma versão. Por isso o painel diz, ao lado de cada leitura, quem mediu. Nesta edição o teto do Terminal-Bench 4.0 passa a 59,1%, independente, e o do SWE-bench Science, a 50,42%.
A chamada que o painel não contou
No dia anterior ao edital de Macaíba, o CNPq abriu R$ 50 milhões para pôr mestres e doutores em startups de IA. O nº 1 não viu. Com ela, o Plano Brasileiro de IA tem R$ 1,009 bilhão em edital — 4,4% do anunciado.
Em 19 de agosto, o Diário Oficial publicou a Chamada CNPq nº 29/2026, a RHAE IA — Pesquisador na Empresa. São R$ 50 milhões do FNDCT para bolsas que levam mestres e doutores a projetos de pesquisa em micro e pequenas empresas e startups de inteligência artificial, até R$ 300 mil por proposta. O objeto declara o Plano Brasileiro de IA (Eixo 4, IA para inovação empresarial) e a Nova Indústria Brasil; ao menos 30% do dinheiro vai para empresas do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste. As propostas fecharam em 9 de outubro; o resultado final está previsto para dezembro.11
No dia seguinte, 20 de agosto, a FACC publicou a Seleção nº 27/2026, o supercomputador de IA de Macaíba para o LNCC: R$ 959.040.959,04.12 Foi esse o número que o nº 1 leu como “PBIA licitado”. A chamada do CNPq, publicada um dia antes e com o mesmo plano no objeto, ficou de fora. O código 2 refaz a soma.
# PBIA: o que já virou edital com valor fixo e prazo, em R$
editais = [
("2026-08-19", 50_000_000.00, "RHAE IA, CNPq/FNDCT, Chamada 29/2026"),
("2026-08-20", 959_040_959.04, "Supercomputador de IA, FACC/LNCC, Seleção 27/2026"),
]
total = sum(valor for _, valor, _ in editais)
for data, valor, nome in editais:
print(f"{data} R$ {valor / 1e6:>9,.2f} mi {nome}")
print(f"{'total':10} R$ {total / 1e6:>9,.2f} mi")
print(f"fração dos R$ 23 bi anunciados para 2024-2028: {total / 23e9:.1%}")2026-08-19 R$ 50.00 mi RHAE IA, CNPq/FNDCT, Chamada 29/2026
2026-08-20 R$ 959.04 mi Supercomputador de IA, FACC/LNCC, Seleção 27/2026
total R$ 1,009.04 mi
fração dos R$ 23 bi anunciados para 2024-2028: 4.4%Executado em 23 de outubro de 2026 com Python 3.13. A saída usa o separador decimal do Python (ponto); no texto, vírgula.
R$ 1,009 bilhão, 4,4% dos R$ 23 bilhões anunciados para 2024–2028. A tabela 3 mostra o que entra na conta e o que não entra. O fundo de investimento em IA do BNDES e da Finep fica de fora pela regra do indicador, mesmo tendo andado nesta semana: em 14 de setembro, os dois escolheram a Monashees como gestora, entre 17 propostas.15 O fundo deve mobilizar até R$ 500 milhões, mas o compromisso público é um teto — até R$ 125 milhões da BNDESPar e até R$ 80 milhões do FNDCT/Finep —, e o dinheiro só existe quando o fundo é montado.
| Instrumento | Órgão | Publicado | Prazo | Valor | Entra? |
|---|---|---|---|---|---|
| Supercomputador de IA (Macaíba) | FACC/LNCC, recursos da Finep | 20/08/2026 | 08/10/2026 | R$ 959,04 mi | Sim |
| RHAE IA | CNPq/FNDCT | 19/08/2026 | 09/10/2026 | R$ 50 mi | Sim |
| FIP IA | BNDES e Finep | 09/04/2026 | 28/05/2026 | Faixa de aporte | Não |
O edital do FIP IA previa aportes de R$ 40 a 125 milhões da BNDESPar e de R$ 40 a 80 milhões da Finep, num fundo de pelo menos R$ 160 milhões. O prazo de Macaíba é o da época: as propostas foram depois adiadas para 4 de novembro.
Corrigimos a leitura do nº 1 de R$ 959 milhões para R$ 1,009 bilhão, e o painel mostra a correção ao lado do número. Ela está também no registro de correções do Método. O erro foi de busca, não de regra: a chamada estava no site do CNPq, publicada antes do fechamento daquela edição, e não a encontramos.
No Congresso, nada. O PL 2338/2023 segue na Câmara “aguardando parecer” do relator, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), designado em maio de 2025. As últimas movimentações foram em 1º e 2 de setembro, duas apensações — entre elas a do PL 3060/2026.13 Na semana de 8 a 14 de setembro, a ficha não registrou movimento.
O que observar
Abertura das propostas do supercomputador de Macaíba, adiada de 8 de outubro. É o primeiro teste de que os R$ 959 milhões do maior item do PBIA em edital viram contrato.17
Lançamento do DeepSeek V4.1-Pro, que encerra o redirecionamento do
deepseek-v4-pro— e se algum outro grande provedor atende um nome existente com outro modelo, a outro preço (juízo 1).1Resultado final da Chamada RHAE IA no Diário Oficial, previsto para dezembro: quantos projetos e quanto dos R$ 50 milhões foi de fato comprometido (juízo 5).11
A Agents API sem o prefixo
betae o cabeçalho de beta (juízo 2); a próxima versão do Índice de Inteligência e o tamanho do salto nas notas (juízo 3).5,6O primeiro lugar do SWE-bench Science. Se outro modelo passar os 50,42% do GPT-6 Astra por mais de três tarefas, o juízo 4 se confirma; por menos, é ruído.9
Juízos da edição anterior, revisitados
- 1
Para trabalho agentivo de classe 2026, o custo por token deixou de decidir entre fechado e aberto. O que decide é confiabilidade no domínio, governança do raciocínio e onde o modelo roda.
- 2
A distância de ~100× entre a fronteira fechada e o aberto permissivo deve persistir pelos próximos dois trimestres: os laboratórios fechados estão precificando raciocínio e agência, não tokens, e os abertos estão precificando adoção.
- 3
O SWE-bench Verified deixou de discriminar entre modelos de fronteira; leaderboards de domínio com amostra pequena também não separam os cinco primeiros. Quem decide compra precisa de avaliação própria.
- 4
A monitorabilidade da cadeia de pensamento vai continuar caindo nos flagships. “Ler o raciocínio” não deve ser tratado como controle de segurança em nenhum sistema em produção.
- 5
É provável que o supercomputador de Macaíba seja contratado em 2026; é pouco provável que opere no prazo anunciado (fim de 2027), dado o histórico de três adiamentos e a ausência de custos de operação no edital.
Fontes
- 1DeepSeek-V4.1-Flash release and model routing noticeArquitetura, parâmetros ativos por fase, licença e o redirecionamento do `deepseek-v4-pro` a partir de 14 de setembro.
- 2DeepSeek-V4.1-Flash — model cardPesos e licença MIT. Os metadados do repositório indicam 763 bilhões de parâmetros.
- 3Models & PricingLida na data de publicação: ainda lista o V4-Pro (0813) com preço próprio.
- 4API changelogEntradas de 8 e 10 de setembro: Agents API em beta pública, expiração de chaves de projeto, GPT-Live 1, diagnósticos de cache.
- 5Agents API — overviewSessão durável, streaming e webhooks, MCP, sandbox própria; namespace e cabeçalho de beta. A página não tem data; usamos a do changelog.
- 6Artificial Analysis Intelligence Index v4.3Mudanças de composição, notas da v4.3 e o Terminal-Bench 4.0 medido de forma independente (66 tarefas, três rodadas).
- 7Artificial Analysis Intelligence Index — leaderboard mirrorNotas da v4.2 com uma casa decimal, três dias antes da mudança.
- 8Introducing GPT-6 AstraTabela de lançamento com o Terminal-Bench 4.0 do Astra e dos concorrentes, rodados pela OpenAI.
- 9SWE-bench Science — leaderboardA data de entrada do Astra vem do histórico do repositório do placar.
- 10GPT-6 Astra — ARC Prize VerifiedResultados com harness padrão e com Provider Adapter, custos por rodada, e a ressalva de que não são comparáveis.
- 11Chamada CNPq/SETEC/SETAD/MCTI/FNDCT nº 29/2026 — RHAE IAObjeto, valor global, teto por proposta, cota regional e cronograma.
- 12LNCC conduz implantação de supercomputador de inteligência artificial que ampliará a capacidade computacional do BrasilAnúncio da licitação, publicada pela FACC em 20 de agosto, com o valor de R$ 959.040.959,04.
- 13PL 2338/2023 — ficha de tramitaçãoSituação, relatoria e a apensação do PL 3060/2026.
- 14FIP IA 2026 — chamada pública para seleção de fundosPrazos, faixas de aporte e gestora selecionada.
- 15BNDES e Finep elegem gestora de fundo de Inteligência Artificial de R$ 500 milhõesEscolha da Monashees, número de propostas, tetos de aporte. Imprensa; os números batem com o edital do BNDES.
- 16Terminal-Bench 4.0 — leaderboardSubmissões dos laboratórios, cinco rodadas por tarefa, com intervalo de confiança. Datas de criação e atualização de cada linha pelos dados embutidos na página.
- 17Seleção Pública nº 27/2026 — HPC para IAPublicação no DOU em 20 de agosto; lida na data de publicação desta edição, mostra a sessão em 4/11/2026, 10h, e a Errata 01.
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